terça-feira, dezembro 23, 2008

Havia aqui algo mais... 

Lembro-me de procurar a alma embrenhado em teias de jogo e de mentira. Anos idos... e velas a toda a haste. Fui conquistando pequenos nadas, que regalaram a visão nocturna do comandante. Alonguei o mapa, rompi com a terra firme, almejei com o vento, sem parar. As horas mortas à ondulação fustigavam-me. Foi-se manobrando... cada vez mais alto o mar, no espaço e no tempo, até que enfim aportava na distracção. Quimeras cada vez mais indefinidas...

E agora? Agora, uma rotura terceira, desta feita com o que lavrara e deslavara a sós. Uma nova vida igualmente fragmentária, igualmente de pedaços. E o fardo da mudança, e o fardo do desnorte. E um fado incerto... permeado de sussurros... sussurra a criança "Pssst estou aqui."; sussurra o artista "E eu? Serrais-me os pulsos quando cerrais o olhar! Reles mortal..."; geme o músico, sem abrigo. Sem palavras. Sempre novos refúgios, escuros qual esquecimento. A côr fica no agora (na ilusão). Finge aquecimento.

Tudo é massa, tudo é mão, e aquele desconforto reconfortante que enjoa enquanto não chega a chuva. A chuva de ser sem intermediários. A chuva de não requerer. A chuva - acontecer.

E entretanto? Há sempre tempo para atear um archote uma outra vez. Pôr fogo a Roma, de quando em quando... cumprir o papel de querer cumprir o papel. Porque ainda não ardeu.

Ainda não morri. Ardo em mim.